Telessaúde MS

Tempo de Leitura

4 minutos

Data de Postagem

07/04/2026

RESPOSTA:

A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel central na prevenção e no rastreamento do câncer do colo do útero, atuando tanto na prevenção primária quanto na detecção precoce da doença.

No âmbito da prevenção primária, destaca-se a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), ofertada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Atualmente, recomenda-se dose única para crianças e adolescentes de 9 e 14 anos. A administração de 2 doses, no período de 0 e 6 meses, é recomendada para vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos. Esquemas diferenciados são indicados para grupos específicos, como pessoas imunodeprimidas, vítimas de violência sexual e usuários de PrEP, que podem necessitar de duas ou três doses, conforme a condição clínica.

A vacinação é fundamental, pois previne a infecção pelos principais tipos oncogênicos do HPV, responsáveis pelo desenvolvimento do câncer do colo do útero e de outras neoplasias associadas.

Na prevenção secundária, a APS é responsável pela organização e execução do rastreamento do câncer de colo de útero. As diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde recomendam o uso do teste molecular DNA-HPV, para detecção do HPV oncogênico como método primário de rastreamento, por apresentar maior sensibilidade na identificação de lesões precursoras e maior impacto na redução da incidência e mortalidade.

Deve-se destacar que a população alvo do rastreamento são mulheres com idade entre 25 e 64 anos. Nos casos de resultado negativo, o exame deve ser repetido a cada cinco anos. Quando positivo, a conduta varia conforme o tipo viral identificado: presença dos tipos 16 e/ou 18 indica encaminhamento direto para colposcopia; para outros tipos oncogênicos, recomenda-se a realização de citologia reflexa, com encaminhamento conforme o resultado.

Além da oferta do exame, cabe à APS realizar busca ativa das mulheres na faixa etária recomendada, especialmente aquelas em atraso no rastreamento, bem como promover educação em saúde, esclarecendo a importância da vacinação e do rastreamento, considerando que as fases iniciais da doença são, em geral, assintomáticas.

Dessa forma, a Atenção Primária à Saúde atua de maneira integrada na prevenção do câncer do colo do útero, por meio da vacinação, organização do rastreamento, identificação precoce de alterações e encaminhamento oportuno, contribuindo para redução da morbimortalidade e melhoria do prognóstico das mulheres.


Referências:

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Atenção primária à saúde. Washington, D.C. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude. Acesso em 17 de mar. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view. Acesso em: 17 de fev. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 16/2025-DPNI/SVSA/MS. Disponível em: PDF 25000.126136/2024-55. Acesso em: 17 de mar. 2026.

FEBRASGO. 30 de abril – Dia Nacional da Mulher: Brasil entra na nova era do rastreio do câncer de colo uterino. São Paulo: Febrasgo, 2025. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2086-30-de-abril-dia-nacional-da-mulher-brasil-entra-na-nova-era-do-rastreio-do-cancer-de-colo-uterino. Acesso em 17 de mar. 2026.


Descritores CIAP2:
-44 – Vacinação/Medicação Preventiva
-45 – Educação em saúde/aconselhamento/genética
X75 – Neoplasia maligna do colo
X77 – Neoplasia maligna genital feminina, outra
X86 – Esfregaço de Papanicolau/colpocitologia oncótica anormal


Teleconsultor:

Nayara Sibelli Fante Cassemiro – Médica pela Universidade Gama Filho, mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP, residência em Ginecologia e Obstetrícia na Fundação Centro de Estudos da Santa Casa Dr. Willian Maksoud. Docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas e médica ginecologista/obstetra na Prefeitura Municipal de Três Lagoas.
Lattes: https://lattes.cnpq.br/0664087105584194

Priscila Damaceno Santos – Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Bacharel em Enfermagem pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Enfermeira-área da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5205986415667053

Arthur Hideki Nascimento Yokoda – Acadêmico do Curso de Graduação em Medicina do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.
Lattes: https://lattes.cnpq.br/1521977837172512