Telessaúde MS

Tempo de Leitura

2 minutos

Data de Postagem

15/04/2026

RESPOSTA:

A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental na promoção da saúde mental e na prevenção de agravos, atuando de forma integrada com a comunidade escolar, que constitui um importante pilar de apoio para crianças e adolescentes. A APS pode promover ações educativas voltadas a professores e equipes pedagógicas, esclarecendo sobre sinais de alerta, fatores de risco e fatores protetores relacionados à saúde mental de crianças e adolescentes.

Diversas manifestações podem ser compreendidas como sinais de sofrimento psíquico na infância e adolescência. Regressões no desenvolvimento, perda de habilidades previamente adquiridas e deficiências, como a intelectual, indicam prejuízos no desenvolvimento global da criança e demandam avaliação profissional. Enquanto o comportamento suicida na infância, apesar de incomum, pode estar associado a contextos de vulnerabilidade emocional, social e familiar no qual a criança se encontra.

As dificuldades escolares e a redução do rendimento acadêmico refletem o impacto do sofrimento mental sobre processos cognitivos, os mais afetados são a atenção e memória. Mudanças comportamentais, autoagressão, comportamentos antissociais, assim como alterações no sono e na alimentação, podem sinalizar a presença de transtornos psíquicos. Além disso, queixas somáticas podem surgir como forma de expressão de sofrimentos emocionais que não são verbalizados pela criança ou adolescente.

A ausência de encaminhamento e acompanhamento por profissionais de saúde qualificados pode contribuir para o agravamento do quadro, incluindo o desenvolvimento de outros distúrbios, como o uso abusivo de drogas. Quando tais mudanças são detectadas, é muito importante que o educador contacte os responsáveis, que podem muitas vezes não ter conhecimento das mudanças. Ademais, a APS deve orientar a escola a agir como um elo entre o sistema de saúde e os responsáveis, incentivando à busca por ajuda profissional.


Referências:

BERTOLOTE, J.M. et al. O papel da família na promoção da saúde mental. Brasília: Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; Secretaria Nacional da Família; Observatório Nacional da Família, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/observatorio-nacional-da-familia/producoessnf/diagramacaoSNFfamiliaesaudementaldigital2.pdf. Acesso em: 5 fev. 2026.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Postagens: Principais Questões sobre Saúde Mental de Crianças: sinais de alerta para APS. Rio de Janeiro, 04 mai. 2022. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-crianca/principais-questoes-sobre-saude-mental-de-criancas-sinais-de-alerta-para-aps/.


Descritores CIAP2


Teleconsultor

Julia Santana do Nascimento – é médica formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com Residência Médica em Psiquiatria pela Santa Casa de Campo Grande. Docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0467630135600083

Priscila Damaceno Santos – Bacharel em Enfermagem pela Universidade de Franca (UNIFRAN), Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Enfermeira-área da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5205986415667053

Ana Carolina Dorigon Moço – Graduanda do Curso de Graduação em Medicina do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/3737778280194204