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Pergunta Semanal

Como diferenciar, no contexto escolar, sinais de TDAH, de manifestações relacionadas àansiedade, estresse ou dificuldades de aprendizagem?

Tempo de Leitura

4 minutos

Data de Postagem

09/03/2026

RESPOSTA:

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado principalmente por desatenção, hiperatividade e impulsividade, com início dos sintomas na infância e impacto em diferentes áreas da vida, não apenas na escola.

Um ponto central para suspeitar de TDAH é observar se esses comportamentos são frequentes, duradouros e aparecem em mais de um ambiente, por exemplo, tanto na escola quanto em casa ou em outros espaços sociais.

No TDAH, a criança costuma apresentar dificuldade constante para manter a atenção, organizar tarefas, seguir instruções até o fim e controlar impulsos, mesmo quando a atividade é do seu interesse, como por exemplo seguir regras de uma brincadeira ou conversar com os amigos. Muitas vezes, ela percebe que seu comportamento atrapalha, tenta se controlar, mas não consegue de forma consistente.

Já em situações de ansiedade ou estresse, a desatenção e a agitação tendem a ser mais situacionais. Quando o fator estressor é reduzido, por exemplo, após uma conversa acolhedora, uma atividade de relaxamento ou resolução do problema, a criança geralmente consegue se reorganizar e voltar a se concentrar.

Nas dificuldades de aprendizagem, o problema está mais ligado à compreensão do conteúdo. Com apoio pedagógico adequado, explicações diferentes ou mais tempo para aprender, costuma haver progresso.

Outro aspecto importante é que comportamentos semelhantes ao TDAH podem surgir devido ao excesso de estímulos, uso intenso de telas, mudanças na rotina ou dificuldades emocionais. Por isso, a observação cuidadosa do contexto é fundamental.

Além disso, dificuldades de comunicação e interação também podem interferir no desempenho escolar, especialmente em crianças com condições do neurodesenvolvimento, reforçando a importância de estratégias pedagógicas inclusivas e de uma escuta qualificada antes de qualquer encaminhamento.

O TDAH não afeta apenas o rendimento escolar: ele impacta as relações sociais, a autoestima e o cotidiano da criança ou adolescente. Por isso, uma pergunta-chave para educadores e famílias é: essa criança está desatenta porque é uma atividade que não é interessante para ela, ou mesmo em situações que ela gosta não consegue se concentrar e sofre por isso?

Se os sinais forem persistentes, ocorrerem em diferentes ambientes e causarem sofrimento ou prejuízo funcional, é importante buscar avaliação profissional. Idealmente, esse processo deve envolver família, escola e serviços de saúde, evitando encaminhamentos precipitados e promovendo um cuidado articulado.


Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade: Brasília. Ministério da Saúde, 2025. Disponível em:

https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/portariaconjuntan14pcdttranstornododeficitdeatencaocomhiperatividadetdah.pdf. Acesso em: 10 fev. 2026.

BORDINI, D. et al. School Referrals of Children and Adolescents to CAPSi – the Burden of Incorrect Referrals. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 34, n. 4, p. 493–496, dez. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.rbp.2012.05.007. Acesso em 12 fev. 2026.

Descritores CIAP2:
P81 Perturbação hipercinética
P74 Distúrbio ansioso/estado de ansiedade
P22 Sinais/Sintomas relacionados ao comportamento da criança


Teleconsultor:

Adailson da Silva Moreira – Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), mestre em Direito Público pela Universidade de Franca e especialista em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. Docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0988651222255304

Priscila Damaceno Santos – Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Bacharel em Enfermagem pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Enfermeira-área da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5205986415667053

Beatriz Fortuna Sabotto – do Curso de Graduação em Medicina do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8783822659747356