A Atenção Primária à Saúde (APS), no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), pode contribuir para a inclusão de crianças e adolescentes neurodivergentes ao articular ações permanentes entre saúde, educação e família, com foco na promoção da saúde, prevenção de agravos e atenção integral aos estudantes.
Por meio das equipes de Saúde da Família, a APS atua como equipe de referência no território e conta com o apoio matricial em saúde mental como estratégia de cuidado colaborativo. Esse modelo possibilita a construção compartilhada de projetos terapêuticos, interconsultas, consultas conjuntas, visitas domiciliares e ações de educação permanente, fortalecendo a capacidade da escola e da APS de responder às necessidades complexas do desenvolvimento infantil.
Essa parceria favorece a construção compartilhada de projetos terapêuticos, interconsultas, consultas conjuntas, visitas domiciliares e ações de educação permanente, fortalecendo a capacidade da escola e da APS de responder às necessidades complexas do desenvolvimento infantil.
Essa parceria favorece a compreensão de condições como Transtorno do Espectro Autista, TDAH e dislexia a partir do paradigma da neurodiversidade, contribuindo para superar abordagens centradas exclusivamente no déficit ou na medicalização. A APS apoia os educadores na leitura contextualizada dos comportamentos, na identificação de fatores psicossociais envolvidos e na valorização das potencialidades dos estudantes, reduzindo estigmas e promovendo práticas pedagógicas mais inclusivas.
Além disso, o matriciamento permite suporte técnico-pedagógico contínuo às equipes escolares, orientando adaptações no ambiente, organização de rotinas, manejo de dificuldades emocionais e fortalecimento das habilidades socioemocionais. A construção conjunta de estratégias entre profissionais da saúde, educadores e famílias amplia a corresponsabilização pelo cuidado e favorece intervenções mais integradas e resolutivas.
Ao integrar ações de promoção da saúde, acompanhamento longitudinal e articulação intersetorial no território, a APS transforma o reconhecimento da neurodivergência em práticas concretas de inclusão, contribuindo para ambientes escolares mais acolhedores, equitativos e sensíveis às diferentes formas de desenvolvimento.
Referências:
ARAUJO, Ana Gabriela Rocha; SILVA, Mônia Aparecida da; ZANON, Regina Basso. Autismo, neurodiversidade e estigma: perspectivas políticas e de inclusão. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p. e247367, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-35392023-247367. Acesso em: 16 fev. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto no 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Institui o Programa Saúde na Escola – PSE, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6286.htm. Acesso em: 23 fev. 2026.
CHIAVERINI, Dulce Helena (org.). Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_matriciamento_saudemental.pdf. Acesso em: 16 fev. 2026.
ESTANISLAU, Gustavo M.; BRESSAN, Rodrigo Affonseca. Saúde mental na escola: o que os educadores devem saber. Artmed Editora, 2014.
OLIVEIRA, Letícia Neves Rodrigues de et al. Transtornos Neurodivergentes na infância: Abordagens Multidisciplinares para Intervenção e Suporte Educacional. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 7, p. 385-399, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n7p385-399. Acesso em: 16 fev. 2026.
Descritores CIAP2:
P22 – Sinais/sintomas do comportamento da criança
P24 – Dificuldades específicas de aprendizagem
A98 – Medicina preventiva / manutenção da saúde
Teleconsultor:
Adailson da Silva Moreira – Doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), mestre em Direito Público pela Universidade de Franca e especialista em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. Docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0988651222255304
Priscila Damaceno Santos – Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Bacharel em Enfermagem pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Enfermeira-área da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul/Campus de Três Lagoas.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5205986415667053
Fernanda Barbara Valadão – Acadêmica do Curso de Graduação em Medicina do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6075618099169674